… da pt-net ao “O Referencial”

Por alguma razão escrevi uma mensagem na pt-net que foi apanhada entre outras mensagens sobre o 25 de Abril por alguém chamado Pessanha de Oliveira que as enviou para “O Referencial” e nele foi publicada em Junho de 96 (na seu nº 43) sem eu saber. Mais tarde, já não sei quando, penso que em conversa informal de manifestação em Aveiro, lembraram-me que eu tinha escrito um texto sobre o 25 de Abril e a memória foi avivada de algum modo e o santo de boa memória mandou-me algum tempo depois as fotocópias das páginas onde vinha o dita cuja mensagem entre outras. A 3 de Janeiro de 2018, as fotocópias aparecem-me entre outras que andam a ser arrumadas de algum modo no covil em que “me sento e (des)canso” ou seja, a circunstância da limpeza devolve-me o papel à minha memória (ram – random access memory) perdida de novo … até agora.

Aproveitei a oportunidade e desculpa, para dactilografar a mensagem em vez de
a arrumar para ser perdida de novo.

Tenho andado a ler mais do que a escrever. Há é pocas para tudo. Uns dias são para sossegar todas as armas no canto mais afastado da cozinha, outros dias são para dançar sozinho com a vassoura, outros são para gritar palavras de ordem ao vento … e há dias em que não não resistimos a fazer durar mais a noite para dizer aos brasileiros que é bom o 25 de Abril e é bom ter passado por nós o tempo que nos permite ter o sotaque sem sobressaltos de maior.

Como seria o tempo presente e a pt-net se não tivesse acordado o 25 de Abril de 74? Alguma coisa teria acontecido forçosamente -— Não é possível pensar que a revolução tecnológica ao nível das comunicações não tivesse acontecido e não tivesse entrado aqui. Mas de que falaríamso nós e como falaríamos? De que subtqaques e subentendidos usaríamos para enriquecer as trocas se estivessemos com medo de as poder fazer todas as que nos viessem à cabeça?

Em 1974, eu era um professor do ensino secundário de matemática interropa para cumprir o serviço militar obrigatório. Tinha antes participado em diversos movimentos (estudantis, associativos, sociais) e preparava-me para enfrentar a situação de ter de emigrar (a salto) ou ir até uma das colónias do grande império português ou império de alguns portugueses a quem tinham convencido que eram proprietários do aquém e do além mar.
(O meu irmão mais novo, que não me deu ouvidos, tinha-se deixado levar apara Angola e morreu, há quem diga que num 29 de Fevereiro para que que a memória do sofrimento se repita de 4 em 4 anos). Dos outros irmãos, um tinha passado pela tropa continental e outro tinha ido para o Brasil ter com o pai de nós todos ter com o paide nós todos que pelo Brasil tinha ficado (e ficou até que morreu recentemente sem eu saber bem onde).
De Outubro de 73 a Abril de 74 tinha tido alguma tropa bem divertida e arriscada. Em Abril estava a fazer a especialidade de topografia e cartografia no CIAAC de Cascais e a fazer ordem unida para poder vir a fzer um juramento de bandeira que tiha sido adiado pelo comandadnte da coisa de Mara, apóas alguns acontecimentos hilariantes de bandalheira militante, pouco dignos de um exército que era suposto dominar uma fatia do mundo.
Tinha entrado para o quartel antes da meia noite do dia 24 e um major que mandava mais que o comandante não entregou os pontos e o quartel aos revoltosos. Foi um homem de armas.
Alguns oficiais do 25 de Abril molhavam a coragem em muito álcool para a revolta e para prender o major e o comandante. Acabaram bêbedos e incapazes de matar as moscas de que já não sentiam as mordidelas. Eu, velho (novo) esquerdista, dei-me a esperar para ver o que acontecia – o Spínola não me inspirava qualqeur confiança nem esperança e os meus capitães eram d e massa tenra (um deles, o Sousa Castro ou Castro e Sousa já tinha ido parar para não sei onde). Passou-e um dia e acabei por sair para a luz do dia , já nem sei como. E fui assistir ao espetáculo que só na rua se podia ver. Lembro-me que fui também a uma assembleia mais ou menos meio louca e lembro-me de ter entrado em estado de perpétua vertigem. Nem sei bem o que fiz, pois fiz de tudo um pouco — como era meu hábito, mas não dá para contar — não é meu hábito contar pelos dedos. Na reunião do 1º Acto (Algés) do movimento dos milicianos fiquei a saber quem …… e afinal já sabia. E fiz todas a tropa saloia até Novembro de 75, fazendo de tudo (incluindo a tropa) um pouco por todo o apís que a minha tropa tratava da cartografia do meu país.
Pouco brilhante? Brilhante foi o 25 de Abril. Chegou a ser ofuscaste. A liberdade era um nome febril que eu escrevi pelas paredes e houve tempo em que respeitei ao compasso da marcha das multidões e em que gritei a plenso pulmões e em que cerrei os punhos e em que fugi e em que regressei. Da tropa só sei que não há melhor sítio para rir — antes porque não tinha acontecido o 25 de Abril e poucas coisas haviapara serem ridículas como a tropa, depois poruqe a vida tinha sendo até na tropa.