fecho

Há quem tenha a certeza. Há quem prove a certeza que tem. Há quem diga tantas vezes o que quer afirmar que passa a convencer-se disso e convencer quem o ouve. Há cerezas que resistem aos maiores vendavais. As vozes que as proclamam são cristalinas, vibrantes e transmitem convencimento. Mas há vendais de verdade tais que destroem tudo quanto é ou era certeza e convencimento.

Há quem não tenha a certeza, quem tenha dúivda para esclarecer. Poem o dedo no ar para só perguntar. E que não se ficam pelo primeiro esclarecimento. E voltam perguntar. Há quem queira encontrar uma explicação, mesmo que provisória e que põe o dedo no ar para ajudar a encontrar uma caminho para pensar. As vozes que assim perguntam e começam a explicar ou a contar uma experiência que talvez ajude são melancólicas e suaves, confundem-se com o fundo musical do vento, quase pedem desculpa por serem voz de alguma pergunta. São fundas as vozes das tentativas de encontrar o caminho de entre os caminhos que se bifurcam ali mesmo onde a voz está. São vozes que avançam, mas não deixam de parar nos cruzamentos e, em cada cruzamento, deixam transparecer nova dúvida ou a mesma. Desconfortáveis as vozes que assim falam ou asssim falham. Não ajudam a qualquer sossego.

Há quem só constate e leia de forma tão directa que se entende à primeira, sem qualquer esforço. As vozes que leem estes textos claros e simples são a pele dos textos que só descrevem a pele das coisas. Não há nada dentro do próprio texto. O texto não tem outros nervos que não sejam as regras gramaticais e o visível acontecimento a olho nú. São vozes calmas, dizem-nnos que ficamos completamente informados e que podemos repetir, no café, na roda dos amigos, o que ouvimos com toda a segurança.

Há qem olhe e queira ver o dentro e o fora, os nervos e a pele e os nervos à flor da pele e que, por isso, não encontrem uma receita. Nem consigam escrever direito sobre o que vê. Os txtos de quem tem tal defeito não são claros e simples. Ou são muito calros e simples, demasiado simples. Mas deixam tudo por explicar.. Como se nós os tivéssemos de completar com o nosso pensamento, os nossos nervos, o nosso gosto. As vozes que assim nos falam são também suaves, mas não parecem dese mundo e parecem não se preocupar com este mundo. Talvez as devêssemos calar, porque elas brincamcom a nossa gramática e misturam tudo, ligam umas coisas às outras, falam de uns assuntos contando histórias passadas com outras personagens que nem existem. E não acabam as histórias que começam. Hoistória sem fim incomoda.

Há quem acreddite em tudo de modo tão geral
que não acredita em nad de particular.
Há quem fale de tudo de modo tão geral
que não fala de nada em particular,
como se fossem as palavras por dizer
que os naão deixam calar.

Poem o dedo no ar para fazer vibrar o ar,
como se o mundo estivesse sempre por acabar,
ou esivesse sempre a começar,
e cada passo da obra fosse perfeito só no instante
da sua criação
e o próximo passo em frente merecesse nova
consideração
como se de um simples novo passo
dependesse a salvação da perfeição
que logo deixa de a ser.
E as vozes que assim falam fendem o ar
“como o morcego fende com o seu voo
a porcelana da noitinha”.

Haja quem os entenda!
Quem os ouve?

Usam as vozes e a música para isto. Inquietam-me. Comunicam-me inquietação. Eles dirão que é bom, que não querem outra coisa. Dizem-me os meus amigos e companheiros que eles são chatos e, que qunado eu os vir de dedo no ar lhe corte o dedo e o pio. Que deixe a amargura para eles e que o mundo é como é e que o que tem de ser, seja!
Que esses gajos ainda poem em causa a educação e a cultura e que se lhes dás ouvidos, ficas como eles. Não penses nisso! – dizem-me os mesu amigos.

Eu acabo por ouvir às escondidas edstes melancólicos campeões das dúvidas sobre o ensino, a educação , a cultura e o mundo.
Descubro alguns clássicos por detrás da voz e ei-los tristes e melancólicos, como eles. Às vezes, forço-me a reconhecer profundas ironias, mas todas carregadas de cansaço. Cansaço sem patrão! diga-se.
Hoje eles deixam de pôr o dedo no ar! Naquele horário, talvez venha a pele do desporto ou da música variada que também é bem precisa. Mas eu preparo-me para ter saudades deste texto da dúvida e do perguntar. Começo a dizer-me que, afinal, talvez ali palpite a vida. Porque esta também é assim sem certezas nenhumas.

Pus-me a explicá-los. E eles se calhar nem queriam seer explicados. Tirei-lhes algum do seu encanto.

Adeus. De dedo no ar, luz-me a dizer adeus. Despindo-me, me despedi. Adeus.

Doem-me as cruzes e a barriga da perna direita. É da mudança do tempo. Apesar disso, viva o novo tempo