umas vezes

às vezes não sei por onde ando
mas mesmo assim falo de mim quando

escrevo que a mulher descia a calçada
e, mesmo ao chegar ao cruzamento,
traída por uma pedra afogada
na água que caía do firmamento,

via a sua perna direita fugir
a sete pés afastando-se apressada
da perna esquerda que não queria partir
sem o guarda chuva que a trazia abrigada

transeuntes gritavam ai o raio da velhinha
equilibrada com pés e pélvis em linha

e era eu a velhinha.

Deixar uma resposta