economia do voo

Digo-te que amanhã hei-de poisar como uma ave cansada de voar.
Digo-te hoje.

Se te digo adeus hoje sei que não posso deixar de te dizer amanhã
adeus de novo.
Cansadas as asas, poisarei no teu beiral e olhar-te-ei um instante
Só por um instante te olharei
enquanto maquinalmente aliso as minhas penas
para voltar a partir.

Partirei, depois de dar uma volta larga em frente da tua janela.
Despeço-me. Parto sem poder partir definitivamente.

Digo-te adeus. Porque hoje não sei mais que dizer
e os meus gestos têm a economia própria
de quem voa.

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