as novas velhas de Alex(1)

Um dia destes este amigo de Alex, recebeu de Alex duas notícias:

  1. que na década de 80 do século passado conheceste ricardo soares e com ele te travaste de razões, particularmente em julho de 1989,
  2. que me ofereceste quatro páginas a5 de uma folha a4 dobrada a que deste um título pretensioso “Os milagres”:
  3. Ao primeiro poema chamaste

    O milagre de Fátima

    Não há lugar melhor para chegar à fala
    do que a cama dos meus amantes:
    — D. Clementina falava assim para a mala,
    pendurando no cabide alguns brilhantes—

    Doravante não me deixarei cair
    em tentação — continuou D. Clementina,
    virada para o armário do pecado, pronta a sair
    da casca que usava em menina.

    Tirou a cruz sossegada no seu colo,
    e depois de O beijar, poisou-a no peitoril.
    Só então saíu do seu quarto de hotel parolo
    para a caça ao pregrino de Abril.

  4. Ao segundo poema chamaste

    O milagre do caulino

    Por um breve momento, 100 aldeões levantam o nariz
    para o sino a rebate.
    E a guarda nacional e republicana do meu país
    dispara e abate.

    A minha glória patriótica vem
    deste facto percentual:
    mais do que na China, também
    se mata em Portugal.

  5. Ao terceiro poema chamaste

    O milagre de S. Bento

    Governa-nos.

    Penteia-se de manhã. Veste um fato cinzento de lapelas brilhantes.
    Nas faces es(ca)vacadas afivela um sorriso. Mostra os dentes rutilantes.
    Discursa o discurso. O único que sabe. O geral.
    O seu génio é uma parolice genial.

    Envenena-nos.

    O que ele sabe é que funciona.
    Repete que não há alternativa
    e a alternativa é como ele no discurso e na saliva:
    Só tem 4 notas a sanfona.

    Estamos governados

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