Galocha

Cortarei a relva por cortar
como se fosse um rapaz convidado
para brincar no teu jardim de brincar
onde tu mandas nas flores como em pau mandado

que eu sou para ter acesso
ao jardim dos meus sonhos secretos
onde te canto a tua vida como se fora processo
criado sobre estrume colhido nos currais mais abjectos

na esperança mais disfarçada
de que descubras o meu jeito de maldiçào
nos cheiros espalhados ao teu ar de amaldiçoada
por ti que moras na minha alma como os piolhos na solidão

Cortarei a relva por cortar
de novo amanhã e depois de amanhã futuro
para que possas rebolar-te entre as flores que vais cheirar
sem as plantar e nem eu as semeei sendo só acaso de vento podre de maduro.

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