pterodactilografo

extinto

1
estou perdido numa era
que se separou do nosso tempo
por um rasgão de monteiro

algures onde não havia mãos
e as asas ainda não escreviam

teorias nem eram ferramentas
para voar sobre papeis

que ainda nem tinham pernas
para andar

contavam-se apenas como penas
os papeis da dívida

que só pode ser divina
e por isso negociável numa nuvem
entre o céu e o inferno
entre os credores que são testas
de ferro de deus e do diabo

2.
um antigo governo nomeou
um contrato milionário
a ser pago pelo estado

visando doar
a um grande grupo financeiro
um novo banco
cuja propriedade era já
do velho povo nação valente
e imortal
de pessoas sobrevivas
em cada momento
no território

3.
variáveis conjuntos de pessoas
tomados como uma só mole
imensa
de contribuintes
fiadores
que vão morrendo
à medida que nascem
cada vez menos
novos contribuintes
fiadores
formando a mesma mole
cada vez menos imensa
como
comentam os pterodactilógrafos
justificando assim
novas e maiores contribuições
devidas por dívidas atribuídas
por estrangeirados e estranhos
a cada uma das partículas da mole
imensa
por divisão entre todos
menos os estranhos estrangeirados
para lhes pagar
a esses estranhos
tratantes
vigilantes
e visitantes
que vêm pastar o prado
cercado
por uma vedação de arame farpado
que, para ser privado,
só sendo sustentado pela mole cada vez menos imensa
e cada vez mais intensa

4.
régio monteiro
sabe que vai ser assassinado
e enterrado para ser comido,
na derradeira morada
que é uma casa de pasto,
por necrófagos em tudo semelhantes
aos assassinantes
como ele foi
em vida
abusando de nome e assinatura
em sentenças de morte capital
à mole humana sem digna sepultura
que dá pelo nome de portugal

Que não descanse em paz ó régio monteiro!

© adealmeida

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